La vida

es una burla contínua

a nuestra ingenuidad.

B.I.

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DESDE O CANTO, poema de Beatriz Iriart







De crianca teve um vergel
de canela e cinamomo.
Hoje a morte ronda
no meu jardim de crianCa
pra que ignore os aromas calidos
e só sinta o óxido
do sangue ainda quente
dos vervgeis orfaos.




© Beatriz Iriart
                                                                     





Fotografía: Giovanni Gilli








A MORTE QUER, NOSSOS F.I.L.H.O.S, DESDE O CANTO.POEMAS EM PORTUGUÊS DE BEATRIZ IRIART




A MORTE QUER

A morte quer

que me pinte de amarelo

para opacar o sol

e dancar nas penumbras

até que a lua

deixe brancos meus osos




© Beatriz Iriart






NOSSOS F.I.L.H.O.S.

Tao pequeños e tao grandes
com sua inocencia roubada
pelas aves de rapina
derao seu discurso de luzes e sombras
e nas deixarao sua calda de aCucar latente
a nois
os desmemoriados de sempre.




© Beatriz Iriart

F.I.L.H.O.S:  grupo de filhos e filhas de detidos-desaparecidos na
Argentina durante a ditadura militar.(1976-1983)





DESDE O CANTO

De crianca teve um vergel

de canela e cinamomo.

Hoje a morte ronda

no meu jardim de crianCa

pra que ignore os aromas calidos

e só sinta o óxido

do sangue ainda quente

dos vervgeis orfaos.




© Beatriz Iriart







Obra de Luisa Richter